A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) acredita que foi dado um importante passo para diversificar a matriz energética no setor da aviação, graças ao acordo anunciado nesta quarta-feira, (18/11/2009) entre a empresa aérea Azul, a fabricante de turbinas GE, a fabricante de aviões Embraer e a Amyris, empresa especializada em biotecnologia que está desenvolvendo uma série de combustíveis e produtos químicos a partir da cana-de-açúcar. O acordo prevê uma série de testes com bioquerosene produzido pela Amyris em aviões da Azul fabricados pela Embraer e equipados com turbinas da GE. O primeiro vôo experimental deve acontecer em 2012.
Para o presidente da UNICA, Marcos Jank, o acordo é exemplo do tipo de avanço que se pode esperar da cana-de-açúcar nos próximos anos: "Quando lembramos que a cana foi a primeira atividade econômica documentada da história do Brasil - e hoje pode ser considerada o que há de mais arrojado em termos de energia limpa e renovável -, é a este tipo de iniciativa que estamos nos referindo. O futuro da cana aponta para inúmeras vertentes, todas elas caracterizadas por tecnologias de ponta, como este acordo que acaba de ser firmado", avaliou.
Durante o anúncio do memorando de entendimento entre as companhias, em São Paulo, acordou-se que o voo, dentro de três anos, será comandado pelo diretor de operações da Azul, Miguel Dau, e usará uma mistura de 20% a 50% do biocombustível misturado ao querosene normal de aviação.
O bioquerosene, desenvolvido pela empresa privada e americana Amyris, companhia com seis anos de vida que mantém instalações em Campinas, será fabricado a partir de uma das etapas da produção do etanol. Após a fermentação do caldo da cana, o material que dará origem ao combustível será separado por um processo de centrifugação, ao contrário do etanol, obtido por meio da destilação.
Com a adoção do querosene de origem renovável, a Azul pretende resolver antigas questões econômicas e ambientais. Além de reduzir sua dependência pelos combustíveis de origem fóssil, que hoje representam entre 30 e 40% dos seus custos, a empresa diminuirá significativamente suas emissões de gás carbônico (CO2), que provocam o aumento do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global.
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